No universo esportivo, a obtenção de vitórias e premiações é essencial para muitos atletas, porém, em algumas situações, o que deveria ser um símbolo de reconhecimento e sucesso pode se transformar em motivo de controvérsia ou renúncia. Diversos competidores, ao longo da história, optaram por declinar ou restituir prêmios esportivos, seja por questões éticas, convicções pessoais ou descontentamento com as circunstâncias vinculadas à premiação.
Um dos exemplos mais marcantes ocorreu nos Jogos Olímpicos de 1968, na Cidade do México, quando os corredores norte-americanos Tommy Smith e John Carlos, após receberem as medalhas da prova de 200 metros, ergueram o punho cerrado em protesto contra a discriminação racial nos EUA. A atitude foi considerada uma transgressão ao protocolo pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), resultando na retirada de suas medalhas. Embora as honrarias tenham sido devolvidas, tal gesto tornou-se uma das manifestações mais impactantes na história do esporte.
Em contrapartida, em 2002, a corredora britânica Paula Radcliffe declinou do prêmio de 'Atleta do Ano' concedido pela Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF). A recusa ocorreu em meio a uma polêmica relacionada à seleção do premiado, vista por muitos como politicamente motivada. Radcliffe, recordista mundial da maratona naquele ano, justificou sua decisão pela incompatibilidade do prêmio com seu genuíno esforço, levando-a a recusar a distinção.
O jogador ofensivo alemão Miroslav Klose, após se tornar o maior goleador da história das Copas do Mundo, foi agraciado pela FIFA com um bilhete de primeira classe para o Brasil durante o Mundial de 2014. Todavia, Klose optou por declinar da oferta, preferindo viajar em classe econômica junto à sua equipe, demonstrando assim humildade e comprometimento com valores de igualdade.
No xadrez, a icônica figura de Bobby Fischer é notável. Após conquistar o título mundial em 1972 derrotando Boris Spassky, Fischer recusou a premiação da Federação Internacional de Xadrez, alegando injustiça devido a questões organizacionais e ao tratamento dispensado ao evento. Fischer foi um dos primeiros campeões mundiais a rejeitar um prêmio esportivo por motivações pessoais.
Em 2001, o astro do futebol inglês David Beckham foi agraciado com o título de 'Melhor Jogador do Ano' pela FIFA. Contudo, após uma série de controvérsias envolvendo sua vida pessoal, incluindo um escândalo midiático, Beckham decidiu restituir parte do prêmio, sentindo que não era merecedor do reconhecimento devido às circunstâncias que cercavam sua trajetória naquele ano.